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[Review] – Chroma Squad

André Barrozo em 25 de Janeiro de 2018

Uma ode aos heróis de collant

Chroma Squad, game de estratégia/RPG por turno da Behold Studio, lançado em 18/5/2017, onde gerenciamos um studio que produz um seriado super sentai ( heróis coloridos, armas bacanudas e robô gigante), sendo o primeiro game do studio a ser lançado na família de consoles Xbox One (Xbox One FAT, Xbox One S e Xbox One X).

Cansados dos desmandos de um diretor mané, você e seu grupo de amigos dublês resolvem fundar seu próprio seriado de super sentai, graças à ajuda do tio de um dos integrantes que tinha um galpão vazio ali dando bobeira, tudo muito conveniente, claro.

A premissa maluca, e um tanto galhofa, vai ter levar por muitas aventuras durante todas as seis temporadas do game, o que seriam equivalentes a capítulos. Coletar materiais para os uniformes, escolher as habilidades corretas para cada classe, contratar uma agência de marketing para angariar mais fãs para o seriado e ter seu próprio robô gigante lhe renderam boas horas de gameplay e risadas, com as inúmeras referencias a cultura pop durante a campanha.

Apesar da roupagem divertida, Chroma Squad não deve em nada aos melhores jogos do gênero, gerenciar corretamente sua produtora e escolher bem os equipamentos e habilidades da sua equipe irá ditar seu sucesso ou fracasso durante as batalhas, ou seriam episódios? Então jogue tendo em mente que talvez, para não dizer com certeza, você vai falhar e terá de bolar uma estratégia totalmente diferente para superar os inimigos, sobretudo no fim da temporada quatro, onde o game começa a não “perdoar” erros do jogador.

Para o BRAZUCAS salvar o mundo, é que a coisa ta feia mesmo

As mecânicas principais são apresentadas de forma suave ao longo das duas primeiras temporadas (capítulos) do game, então relaxa, pois você vai ter tempo suficiente para se familiarizar com jogabilidade. Porém, não fique achando que estes capítulos serão meros tutoriais, a história principal já é contada desde as primeiras batalhas, então não dê bobeira!

E aqui vai duas dicas, primeiro, se você como eu, não manja nada das artes da estratégia, não “banque o bichão” e comece nas dificuldades mais baixas, subestimar o game só vai te fazer falhar, vai por mim (eu fiz isso e né… me ferrei). A outra dica é, sempre tente seguir as “Instruções do Diretor” , que são objetivos específicos que você deve seguir em cada batalha para conseguir mais audiência e, consequentemente mais fãs. Isso fará com que ao final de cada episódio (fase) você tenha mais dinheiro para investir em melhoramentos.

 

O esmero está nos pequenos (e lindos) detalhes

Desde o momento que você inicia o game, e já vemos aquele efeito de televisor de tubo e a tela inicial, com uma música tema que não faria feito em nenhum tokusatsu/tokusatsu, o game já sai na frente de muitos jogos independentes, pois já vão ganhando o jogador aos poucos com uma bela apresentação.

O game conta com a arte toda trabalhada em pixel art, que não está no game apenas para cativar o jogador, mas sim como um elemento narrativo da época de ouro dos seriados de equipes coloridas (anos 80/90). O design de personagem é muito ímpar, quem diria que um extraterrestre ou um robô poderiam ser defensores da Terra, e essa diversidade é introduzida naturalmente, sem parecer que os personagens estão cumprindo cota (como em algumas obras por ai).

Aquele momento que você torce para o vilão

Apesar de estarem em nossos corações, seriados de tokusatsu/super sentai, sobretudo os mais recentes, não são conhecidos por serem exemplos de grande roteiros, porém Chroma Squad eleva o nível. Traições, Conspiração, Reviravoltas e Superação são elementos base da trama, não deixe os pequenos momentos de alívio cômico mascararem o belo roteiro.

 

Vale a pena?

Sim, vale muito a pena! Porém eu, um jovem idoso nos auge dos seus 29 anos, sou apenas uma parcela do público alvo. Considero que o público  do game possa ser divido em três: Amantes de Tokusatsu, Amantes de games de Estratégia e um terceiro, e ainda mais de nicho, formado por Amantes de Tokusatsu e Estratégia. Eu me enquadraria no primeiro caso, nasci em ’88, passei tardes assistindo reprises de Maskman e Winspector antes de Cavaleiros do Zodíaco na Manchete, então vocês não fazem ideia de como queria jogar esse game no meu Xbox One. Impus-me o desafio de analisar um game de estratégia, mesmo não sabendo jogar nada do gênero, muito por conta dessa temática que até hoje me cativa muito, curto tanto, que nos meus maiores delírios penso em criar um seriado no estilo, mas deve ficar só no sonho mesmo. Talvez por isso, considere esse parcela a menos indicada para o game.

Você pode derrotar os monstros no jeitinho, ou na ignorância

O segundo e terceiro partes do público alvo podem encarar o game sem medo, a jogabilidade simples de aprender, mas difícil de dominar, não vai afugentar você nas primeiras partidas fracassadas e o tema tokusatsu/super sentai só vai ser um fator a mais para você se apaixonar pelo game.

O único ponto onde o game realmente peca, é um problema técnico na batalha final, onde o game começa a sofrer com certa lentidão e possíveis travamentos, porém a desenvolvedora já garantiu um atualização corretiva está a caminho.

Dito isto, pensem em qual dos três grupos você se encaixa e decida se vale a pena ou não investir no game.

 

Pontos Positivos
– Pixel Art
– Trilha sonora
– Roteiro
– Knights of Pen & Paper chega em 2018 para Xbox One
Pontos Negativos
– Slowdowns durante a batalha com o chefe final ( segundo a desenvolvedora, uma atualização para corrigir esse problema já está à caminho).

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Designer na maior parte do tempo, gamer em todo o tempo restante e agora bancando de jornalista de games. Gt: Sansufx

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