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[Review] – Cuphead

André Barrozo em 6 de outubro de 2017

Cuphead

Não tréte com o capiroto

Na última sexta, 29 de setembro de 2017, fomos agraciados com Cuphead, jogo de plataforma em 2D, com progressão lateral, para Xbox One / Windows 10 (via Xbox Play Anywhere), GOG e Steam. O game foi lançado sob muitas expectativas, devido a sua incrível qualidade gráfica e sua proposta, ainda ousada nos dias de hoje, de ser um game com dificuldade acima da média.

O desenvolvimento do game foi iniciado no já longínquo ano de 2010, pelos irmãos Chad e Jared Moldenhauer em Toronto, Canadá. Porém, o jogo só veio a se tornar público em 2014, na conferência do Xbox na E3 (Eletronic Entertainment Expo) naquele ano e, sem dúvida alguma, surpreendeu todos os presentes e a pessoa que vos fala também, que está assistindo em sua pequena residência no subúrbio carioca. Cuphead retornaria no ano seguinte a feira e viria para o Brasil na BGS (Brasil Game Show) 2015, já jogável, apresentando um gameplay onde o jogador progrediria conforme fosse superando complicadíssimos chefes de fase. A recepção pelo público foi extremamente positiva, o jogo foi abraçado tanto pela comunidade de jogadores e um das mudanças sugeridas foi a implementação de fases. Desde então, as informações sobre o game se tornaram escassas, gerando um receio de que houvesse sido cancelado, porém acho que, as vezes, esquecemos quão trabalhoso é o desenvolvimento de um game, sobretudo a implementação de um conteúdo que não estava previsto na mecânica principal do jogo. Felizmente, na E3 desse ano o jogo recebeu uma data de lançamento, o que acabou com nossos medos e nos fez ligar o motorzinho da expectativa, novamente.

A abertura do game É só otimismo, não caia nessa

Pule, Atire, Ôpa hora do parry e Morra

A mecânica de Cuphead é essencialmente simples, isso se você está acostumado a games onde se executam múltiplos comandos em um curto espaço de tempo, caso esse não seja seu caso, não é vergonha alguma perder um tempo no tutorial logo no início do game. Ao longo do jogo serão apresentados fases e chefes onde a jogabilidade será diferente do padrão, porém não se preocupe, também há um tutorial para ela. E aqui vai um lembrete, é fundamental encolher para escapar dos projéteis inimigos de forma mais rápida, jogando no esquema diferenciado, obviamente. Após aprender a pular, atirar, correr e “parryar” os elementos de cor rosa, o game nos apresenta sua história, que não se preocupem não contarei, e o seu maravilhoso mapa, e é ai que a coisa começa a ficar séria.

Agora eu entendo quem não gosta de palhaço

Mesmo com a adição de fases mais tradicionais, aquelas onde se vai de um ponto ao outro como Super Mario Bros, Alex Kidd e Ninja Gaiden, Cuphead ainda é, essencialmente um game de enfrentar mestres. Não falo aqui que estas, as fases, não são importantes, longe disso, é nelas onde você coleta as moedas necessárias para se comprar os variados e indispensáveis melhorias para seu tiro, esquiva e pontos de vida, porém seu número reduzido ao longo do game me faz pensar assim. Não ficaria triste caso fosse produzido um conteúdo adicional que aumentasse o seu número, pelo contrário, seria muito bem-vindo. As melhorias para Cuphead e Mugman não dependem só da sua habilidade de coletar moedas nas fases, alguns segredos estão escondidos pelo próprio mapa do jogo, então se estiver passando muita raiva em algum chefe e estiver prestes a desligar o console, passe um tempo explorando o cenário, o passeio será bonito e recompensador.

Os chefes apresentam três níveis de dificuldade, Simple, Regular e Expert. O nível Simple funciona como um modo treino, ele apresenta algumas das formas e mecânicas do chefe, porém com seus pontos de vida reduzidos, o que fará com que sejam necessários menos tiros para derrotá-lo. Superar o desafio nesse nível não permitirá que fosse progrida no game, por isso, utilize esse nível apenas para se familiarizar com os padrões de ataque do inimigo. Na dificuldade Regular, você vai pagar todos os seus pecados e chorar lágrimas de sangue e, na minha humilde opinião, é onde muitos jogadores vão amar ou odiar Cuphead. Como o próprio nome já diz, esse é o modo padrão do game, é a forma com que os desenvolvedores sugerem que você jogue o game e, é o nível de dificuldade que permitirá que você colete o contrato do inimigo derrotado. O que seria esse contrato? Sem spoilers aqui meu caro, jogue e descobrirá!. O nível Expert só é liberado após você finalizar o game, então, tente não arremessar seu controle na televisão, ela ainda tem que durar para você rejogá-lo em 4k!

Os controles funcionam muito bem, não há atraso entre o aperto do botão e a ação do personagem na tela. Tudo roda suave, sem slow downs, quedas de frame ou qualquer problema técnico que influencie no gameplay. Então, o problema de você não passar daquele chefe está entre o sofá e a TV ou (monitor), seja adulto e assuma sua falta de coordenação motora (ou desligue o console rs).

Jogar o game cooperativamente não vai torná-lo mais fácil, e sim dobrar o desafio. A proposta do game, desde os tempos mais primórdios, é a dificuldade acentuada, então já era de se esperar que jogar com seu amigo no sofá só dobrasse a dificuldade. Mas calma, nesse modo, caso você morra o outro jogador pode ressuscitá-lo, então não seja egoísta e auxilie seu companheiro, é fundamental, falo por experiência própria.

Trilha sonora, direção de arte, trailers….notaaaa…10!

Cuphead é uma amalgama de vários acertos. Após seu anúncio o game ganhou um escopo muito maior do que os irmãos Moldenhauer haviam imaginado e o Studio MDHR ganhou corpo e alma. Atribuo a esse time o grande sucesso do game, uma equipe diversa e de excelência, que não permitiu que o game sofresse do que grande partes dos games ditos “indies” sofrem, atenção aos detalhes. Há inúmeros jogos por ai que se destacam pela questão de jogabilidade, gráficos ou trilha sonora, mas dificilmente um que une com harmonia e suavidade todos os três.

Parece um youtuber que não recebeu jogo da assessoria, mas é só mais um chefe do jogo

 

A direção de arte do game é primorosa, o design de todos os elementos combina perfeitamente com a proposta, desde arte de fundo da tela de Start, ao pequeno gesto de Cuphead levantando os shorts e o medo de Mugman antes de enfrentar um chefe, os carismáticos npcs no mapa com quem você pode interagir para descobrir segredos do jogo até o menu onde você administra seu arsenal de poderes e verifica quantos chefes já derrotou e suas respectivas notas. Julgo impossível não perceber o esmero do desenvolvimento em cada um destes detalhes, um pouco da alma de cada um dos integrantes do time está lá.

A trilha sonora abusa do jazz, as vezes você se distrai tanto de tão boa que são as BGM (músicas de fundo) que você liga o automático e, obviamente morre. Destaque também para o narrador do game no começo das fases, que, por algum motivo, me lembrou das narrações das lutas de boxe da época. Aqui vai uma dica, antes de iniciar o game, na tela inicial onde estão Cuphead e Mugman, deixe a música rolar, ela conta, de forma cantada toda a premissa do game.

Miga, sua louca! Quem te disse que jogando em coop fica mais fácil?

Uma experiência além do jogo

Não, aqui não falo dos vários bonecos, trilha sonora em vinil e de todos os controles e Xbox One S customizados (e maravilhosos) por ai, falo do boca a boca gerado pelo sucesso e qualidade do jogo.

Mesmo que o game não possua nenhum modo online (ainda), a experiência de compartilhar seu progresso e perrengues é maravilhosa. É incrivelmente divertido dividir dicas de como passar dos chefes, comparar conquistas e comemorar com os amigos quando se passa de um chefe muito complicado. Não caia na tentação de recorrer a guias ou possíveis glitches (se algum for encontrado).

Cuphead é uma experiência para você e seus amigos, aproveite-a como tal. Agradecimentos especiais à Paulo Mendes, Elvis Araújo, João Paulo Bade, Kath Fall Away, Átila Gomes e Luiz Costa “Cabelo” por isso.

Bota no fácil ai, seu moço!

A aventura de Cuphead e Mugman pode frustrar alguns jogadores que não estão acostumados com níveis mais elevados de dificuldade. Não estranhe caso leve uma hora ou mais para passar de alguma fase, curta o jogo no seu tempo, aproveite a bela paisagem que o jogo oferece, lhe garanto que tudo valerá a pena no fim. Aos jogadores mais casuais, que não querem empregar tanto tempo para curtir o game ou que simplesmente não gostaram da proposta, saiba diferenciar seu gosto pessoal da qualidade do game. O game não atender a sua preferência não significa que ele seja ruim, apenas não é do seu gosto, combinados?

Cuphead, sem dúvida alguma, irá se juntar ao panteão de jogos subestimados por grande parte dos “jogadores”, porém ele já conquistou seu lugar cativo ao lado de Braid, FEZ, Shovel Knight e tantos outros que nos enchem de orgulho e nos divertiram por tantas horas. Espero que, como eu, você se divirta muito com o game! Usem a área de comentários para falar sobre suas experiências e opiniões sobre o game.

Grande abraço, amigos!

Pontos Fortes

– Direção de Arte

– Trilha Sonora

– Dificuldade

– Jogabilidade

– Cooperativo

Pontos Negativos

– Caso encontre citar na área de comentários abaixo.

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Designer na maior parte do tempo, gamer em todo o tempo restante e agora bancando de jornalista de games. Gt: Sansufx

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